Plano Certo Amparo
Profissional orientando um homem em um momento delicado.

Auxílio funeral do CRAS: como pedir e quem decide

Conteúdo revisado em

Auxílio funeral do CRAS é o benefício eventual por morte da assistência social: existe em lei federal, mas cada município define quem recebe e o que recebe. Esta página mostra como pedir, passo a passo.

O auxílio funeral do CRAS é o benefício eventual por morte da assistência social. Ele existe em lei federal, mas quem decide se a sua cidade oferece, para quem e em que forma é o próprio município. Por isso o pedido começa com uma pergunta no CRAS, não com um formulário nacional.

Resposta direta

Procure o CRAS do bairro ou a secretaria municipal de assistência social, de preferência antes de contratar o funeral. Leve a declaração de óbito, o documento do falecido e o seu, comprovante de residência e de renda. O atendente diz se o município oferece o auxílio, qual é o critério e se ele vem como funeral pronto, como sepultamento em cemitério público ou como valor. Se a família já pagou o funeral, pergunte pelo ressarcimento: o decreto federal prevê essa hipótese.

Quem decide: a lei federal e o município

A Lei Orgânica da Assistência Social define os benefícios eventuais como provisões suplementares e provisórias prestadas em virtude de nascimento, morte, vulnerabilidade temporária e calamidade pública (Lei 8.742/1993, art. 22). A mesma lei manda que a concessão e o valor sejam definidos por estados, Distrito Federal e municípios, previstos nas leis orçamentárias, com critérios e prazos dos conselhos de assistência social (art. 22, § 1º).

O Decreto 6.307/2007 diz o que o auxílio por morte atende, com prioridade: as despesas de urna, velório e sepultamento; as necessidades urgentes da família depois da perda; e o ressarcimento, quando o benefício não estava disponível no momento em que foi necessário (art. 4º). O custeio é do município ou do Distrito Federal (art. 5º).

O CRAS entra porque é a unidade pública municipal da proteção social básica, instalada nas áreas de maior vulnerabilidade (Lei 8.742/1993, art. 6º-C, § 1º). É a porta de entrada mais comum — em algumas cidades o pedido corre na própria secretaria ou no serviço funerário municipal.

A regra de 1/4 do salário mínimo saiu da lei em 2011

Ainda circula a informação de que só tem direito quem tem renda por pessoa abaixo de um quarto do salário mínimo. Esse era o texto original do art. 22, de 1993. Desde a Lei 12.435/2011, a lei federal não fixa mais renda: o limite, quando existe, é o do município. Porto Alegre, por exemplo, publica o critério de renda familiar inferior a dois salários mínimos. Não desista do pedido por causa de um número que vale em outro lugar.

O pedido, em ordem

  1. Pergunte antes de contratar o funeral. Em parte das cidades o benefício é o próprio funeral, executado pela prefeitura ou por quem ela designa. Se a família contrata por conta própria antes, a conversa vira de ressarcimento.
  2. Vá ao CRAS ou à secretaria de assistência social. Se o óbito foi em hospital público, o serviço social da unidade costuma conhecer o caminho e pode fazer o encaminhamento.
  3. Leve os documentos. Em regra: declaração de óbito, documento de identidade do falecido e de quem pede, comprovante de residência do falecido e comprovante de renda da família. A lista exata é a do município.
  4. Confirme a ordem do cartório. Em Porto Alegre, a prefeitura pede que o registro do óbito seja feito só depois do encaminhamento da assistente social, porque o cemitério é definido nesse atendimento. Pergunte se a sua cidade tem regra igual antes de ir ao cartório.
  5. Peça a resposta por escrito. Com a negativa escrita, a família pode recorrer no próprio órgão, procurar o conselho municipal de assistência social ou a Defensoria Pública.

Se a família já pagou o funeral

O ressarcimento está entre o que o auxílio por morte atende, quando o benefício não estava disponível no momento em que se fez necessário (Decreto 6.307/2007, art. 4º, III). Se a sua cidade aplica essa hipótese, em que prazo e com quais comprovantes, é a regulamentação municipal que diz. Guarde as notas fiscais e os recibos do funeral desde o primeiro dia — sem eles não há o que pedir.

Como duas prefeituras publicam a regra

CidadeO que a prefeitura publica
Porto AlegreO auxílio funeral é dado pelo Sepultamento Gratuito Municipal, executado pela Central de Atendimento Funerário: atendimento do serviço social, funerária, cerimônia, transporte e sepultamento em cemitério conveniado. Critério: o falecido morava em Porto Alegre e a renda familiar do responsável é inferior a dois salários mínimos.
CuritibaA tabela do Serviço Funerário Municipal (Decreto 2.001/2024) tem referências de funeral gratuitas, exclusivas para carentes ou indigentes, e referências subsidiadas, abaixo das demais. Como funciona o sistema de Curitiba.

São dois desenhos diferentes para o mesmo artigo de lei. Na sua cidade pode ser um terceiro — é por isso que a primeira pergunta é sempre no CRAS.

O que o município não pode exigir

O decreto proíbe subordinar o benefício a contribuição prévia ou a contrapartida, exige ampla divulgação dos critérios e veda comprovações complexas e vexatórias de pobreza (Decreto 6.307/2007, art. 2º, III, VIII e IX). Se a exigência parecer desproporcional, peça a norma municipal que a sustenta. O que é o sepultamento gratuito e quando ninguém reclama o corpo.

Benefício público e cobertura contratada

O auxílio do CRAS é rede de proteção para quem não pode pagar, com o padrão que o município define. Não tem relação com o INSS — o auxílio-funeral do regime geral foi extinto. Quem pode e prefere decidir antes o que a família vai receber contrata, em vida, seguro de vida com assistência funeral: a seguradora executa o funeral dentro do que a apólice prevê, sem critério de renda, e a indenização vai ao beneficiário. Uma coisa não exclui a outra. Veja o que a assistência executa.

Perguntas frequentes

O que se pergunta antes de ir ao CRAS

O CRAS paga o funeral?

Depende do município. A Lei 8.742/1993 prevê o benefício eventual por morte, mas a concessão e o valor são definidos por cada cidade, com critérios do conselho municipal de assistência social. Pode ser o funeral completo, o sepultamento em cemitério público ou um valor.

Quem tem direito ao auxílio funeral do CRAS?

Quem atende ao critério do município, que costuma ser de renda e de residência. A lei federal não fixa renda desde 2011; Porto Alegre, por exemplo, publica renda familiar inferior a dois salários mínimos e falecido morador da cidade.

Já paguei o funeral. Ainda posso pedir?

O Decreto 6.307/2007 inclui o ressarcimento entre o que o auxílio por morte atende, quando o benefício não estava disponível no momento necessário (art. 4º, III). Se e em que prazo a sua cidade aplica, é a regra municipal que diz. Leve as notas fiscais.

Quais documentos levar?

Em regra: declaração de óbito, documento de identidade do falecido e de quem pede, comprovante de residência do falecido e comprovante de renda da família. Confirme a lista no CRAS. Os documentos depois do óbito, em ordem.

O auxílio funeral do CRAS é o mesmo do INSS?

Não. O do CRAS é assistência social, municipal, com critério de renda. O auxílio-funeral do regime geral do INSS foi extinto; o que existe no INSS depois de uma morte é a pensão por morte, para dependentes.

Ter seguro de vida impede o pedido no CRAS?

A lei federal não traz essa regra; o critério é o do município. O seguro de vida com assistência funeral e o benefício público são de naturezas diferentes: um é contratado em vida, o outro depende de vulnerabilidade da família.

Continue por aqui

O que ler em seguida

Sepultamento gratuito

O que a lei federal define, o que o município decide e quando ninguém reclama o corpo.

Entender o benefício

Auxílio-funeral do INSS

O que existe de fato para segurado do INSS e para servidor público.

Ver o que o INSS paga

Quanto custa um funeral

O que pesa na conta e o que dá para decidir antes.

Ver os custos

Documentos após o óbito

As três levas de papéis, quem emite cada um e quem pode solicitar.

Ver a lista completa

Se a preocupação é a conta do funeral no futuro

Uma conversa diz se o seguro de vida com assistência funeral faz sentido para a sua família — inclusive quando a resposta é que não faz.